Lula perdeu cerca de três pontos percentuais no primeiro turno na pesquisa Datafolha divulgada hoje, 15. A Folha aponta que é efeito da prisão. Parece um péssimo resultado para a esquerda, mas é ruim, de fato, para a direita, por dois motivos:

1) Mesmo preso, com uma cobertura negativa intensa e a mobilização das forças conservadoras comemorando a prisão de Lula, a queda foi pequena, com aumento da percepção de que a prisão foi injusta.

2) No primeiro turno, o eleitor tem muitas opções, mas no segundo a questão é mais categórica. Nestas simulações, Lula perde apenas 1 ponto: tem 48% x 31%, contra Bolsonaro (era 49 a 32, em janeiro), tem 48% x 27%, contra Alckmin (era 49 a 30) e tem 46% x 32%, contra Marina (era 47 a 32). Em suma, Lula perdeu menos que os adversários.

Marina também bate Bolsonaro com folga, por 44% a 31% (em janeiro era 42 x 32). O candidato da extrema-direita só é competitivo contra Alckmin, mas perde ainda: 35 x 33, e Ciro, com quem empata em 35%. E ganha de petistas pouco conhecidos, como Jacques Wagner (39 a 23) e Haddad (37 a 26).

Veja os dados atuais aqui, na matéria do G1, e os de janeiro aqui, na matária do Poder 360.

Os dados apontam, hoje, para seguinte situação: Lula não perde no segundo turno para ninguém, e Bolsonaro não ganha de ninguém. Explico: Haddad perde de 11%, sem um gesto de Lula a favor dele, sem campanha. Aparecendo como o candidato de Lula, bate Bolsonaro fácil. A direita também sabe que o deputado carioca é o adversário mais fácil de bater no segundo turno, tem teto, não será presidente. Por isso, jogaram pesado para tirar Lula do páreo, porque senão Alckmin definitivamente não chega nem no segundo turno.

Sem Lula, precisam brigar com a esquerda para chegar no segundo turno, mas a probabilidade ainda é incerta. Hoje, Ciro ou outro candidato petista são mais competitivos e Bolsonaro ocupa o espaço da direita, diminuindo muito a viabilidade de Alckmin. Por isso, oscilam entre atacar Bolsonaro ou alimentá-lo. Péssimo no primeiro turno, ele é ótimo para a direita no segundo.

A equação para a direita, neste momento, é muito ruim. Por isso, prenderam Lula, para terem alguma chance, mas precisam mais que isso: precisam dele calado, sem fazer campanha, sem apontar para Jacques Wagner, Haddad ou Ciro. Se não conseguirem isso, perdem a Presidência.

A última opção, então, será aprofundar a crise e impedir que haja eleições. Mas aí tem que fazer um arranjo autoritário muito mais amplo, porque há muita gente, à esquerda e à direita, buscando poder seja na Câmara Federal, Senado, governos e assembleias legislativas. Teriam que impedir apenas a eleição presidencial. É uma equação muito difícil e afundaria de vez a economia do país e suas relações comerciais com o mundo.

Podem, com isso, manter o poder a curto prazo, mas arriscam abrir as portas de uma hegemonia política da esquerda por longos anos, em seguida.

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