A Via Láctea, imensa e impossível (por enquanto).

A Via Láctea, imensa e impossível (por enquanto).

Nos mundos em que vivemos, nossos caminhos nunca deveriam se cruzar, nossas vidas não deveriam estar paralelas jamais. Meu mundo; teu mundo: impermeáveis. Olhar-te-ia, pela redoma de vidro que me cerca, cada um dentro do seu próprio cristal. A luz refrata como num prisma e te vejo diferente do que és, disforme, às vezes, cheia de cores, ilusão de arco-íris.

Desejo-te e cruzo a fronteira, proibida, dos nossos mundos e te vejo, como és. Meu sonho anterior se desfaz, mas outro começa. Sua imagem cheia de cores ganha contorno e matizes mais precisos. Então sonho-te, diferente. Minha mente explode desejos, viagens, delírios de prazer e risos. E voltar para casa fica mais triste. Melhor seria nem ter cruzado a fronteira talvez.

Você é meu pedaço de impossível, vida que não posso viver, exceto quando fujo do meu mundo e faço, por um momento, meus dias cruzarem os teus. Você e eu somos vítimas das castas, das expectativas sociais, da cautela e das conveniências. Tantos nos estranhariam juntos que nos estranhamos também.

Nada muda o meu desejo, no entanto. Porque és cor, imagem diáfana, divina beleza, tudo aquilo que não posso tocar, luz e calor, mas toco. O que sou, já sei bem. Vivo minha vida todos os dias. Por isso, estou sempre olhando mundos com minha luneta, estou sempre fitando o impossível.

Tu és, nesta noite, a estrela mais linda.

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