Cabelos negros,

luz sem cor,

noite translúcida,

cansaço após furor.

Perfume de sândalo,

calor e orquídeas,

sua boca úmida,

bromélia carnívora.

Lasciva Cleópatra,

rainha do Nilo,

te sonhei flor,

me sonhei pistilo.

Sonhei travesseiro branco,

teu perfil,

tuas melenas.

Thea, tua beleza é obscena.

Na noite translúcida,

vaga, diáfana:

corpo trêmulo,

mão errante.

Um relâmpago,

um instante,

afeto depois,

fúria durante.

Mormaço, e você bacante

desfalece, então delirante,

me arranha e dorme,

me poupa e me consome.

Sei, porém, doravante,

na noite translúcida

nada é certo,

nada é constante

E antes, bem antes,

antes de ser tragado por ti,

antes que te tornes gigante,

renego a noite translúcida,

renego porque a quero,

ainda que fosse a última.

P.S.: o nome completo da mais famosa rainha do Egito era Cleópatra Thea Filopator.

Anúncios