Nunca senti isto antes. O desejo de te arrastar para a cama não obedece a volúpia de sexo. Tens preguiça; quero tua respiração profunda de sono, ouvir fragmentos incompreensíveis de palavras que murmuras. Quero sexo com a fuligem dos sonhos e do sono ainda nos dedos, mas só na manhã do dia seguinte, pois que dormir-te é minha primeira meta.

Sussuro em seus ouvidos canções de ninar: rock, MPB ou samba. E tu perdes o juízo, se rende ao meu encanto, perdes o controle de si e dormes.

Passava então os dias a sonhar em te ver de novo, mas sonhava sem dormir. Guardava meu sono para gastar com você, na cama. Recostar-te no meu ombro no meu carro era pouco, era pressa. Quis toda calma.

Porém, de súbito, como se tivesse interrompido o sanambulismo, você despertou da languidez preguiçosa e desistiu.

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