Revolvo velhos papéis, carregados de lembranças, pequenas derrotas, vitórias imperceptíveis. Mas estão ali e me esperam, para que eu acerte contas com elas e as esqueça, por fim. As almas que vivem ali, nos velhos papéis, estão libertas. Podem ir.

Há menos peso em volta de mim. A casa, leve, está clara e purificada com sal grosso e água benta. Há muitos anos pela frente.

Ela virá. Sem que eu saiba reconhecê-la de início, ela virá. Talvez já esteja por perto, talvez já reconheça minha voz. Talvez não exista e eu tenha que inventá-la. Talvez…

Mantive as portas fechadas até hoje. Minha casa não era minha casa. Agora é e será. E a casa, com perfume de nada, espera-te. Quando adentrares, só sentirei teu cheiro.

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