Se um dia eu pudesse entrar pela janela aberta do teu quarto, na penumbra, como o vento, ouvir tua respiração e sentir teu cheiro enquanto dormes, parar algum tempo para proteger teu sono e, por fim, roubar teu diário, então poderia sonhar de novo.
E conhecer os teus segredos, desvendar teus planos, navegar teus sonhos. Saber tudo sobre você, o que te assusta e o que te acalma, o que você ama e o que odeia. Descobrir teus fetiches, os carinhos que você gosta e o que te faz sentir segura.
Então poderia ser tudo o que você quer, te dar segurança, libertar tua fêmea, teus desejos ocultos, tua volúpia e feminilidade de mulher, te dar conforto e calor, te arrastar pelas estradas (para os lugares sonha conhecer), fazer da tua vida uma eterna viagem.
Só assim, depois de tanto, poderia ter o que mais me faz falta: tua respiração, teu cheiro, teu sono. Poderia roubar, na penumbra, como o vento, o teu coração.


São CAetano do Sul, 10 de fevereiro de 1996
14:00 horas

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