Ela contempla as estrelas e pensa em mim, distante. Lembra das horas, lembra dos cheiros, das frases soltas e dos longos diálogos. O brilho no céu a ilumina e, então, entre nebulosas, ela rumina lembranças doces.
Ela contempla as estrelas e pensa nas minúsculas coisas grandes da vida, nos pequenos detalhes, nos lances fortuitos cheios de sentido. Ela invade catedrais de imagens que ela viu e se excita, perdida no céu. Lume, descreve uma trilha de luz na escuridão. E eu a vejo.
Me imagino ao lado dela. Ela, poeta das estrelas, pensa no sublime da vida. Então, eu a cobiço. Beijo seu pescoço, sussurro frases no seu ouvido, roço sua coxa. Cheio de vontades, eu a atrapalho.
Mas ela confunde tudo, céu e terra. Vê fogo sublime na minha volúpia e faz poesia da minha cupidez. Ela contempla as estrelas enquanto eu atrapalho, mas ela compõe tudo no mesmo quadro e me mistura com as estrelas do céu.

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