Amo Willian Blake, profeta de uma geração que se perdeu nas drogas, no álcool, na arte, no sexo e no excesso. Amo aforismos como ¨A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria¨, de Provérbios do Inferno.
Sempre soube o preço. Sabedoria custa caro. Ginzberg, em Uivo, narra a tragédia de uma geração genial destruída pelas drogas. Elvis Presley teve uma overdose. James Dean continuou jovem, até o fim. Nunca ficou velho. Jim, Janis e Jimi enfrentaram o mundo. Morreram de excesso. No Brasil, Cazuza, Renato Russo, Arnaldo Batista são exemplos da filosofia do ¨viver 10 anos a mil, a viver mil anos a 10¨.
Mas havia algo mais que acabar consigo mesmo. As gerações dos anos 50, 60 e 70 que se acabaram no excesso buscavam sabedoria, queriam mudar o mundo, abrir as portas da percepção. Ou, no mínimo, projetar uma forma diferente de viver. O excesso era o caminho da contestação e da sapiência. Alguns, como Brian Eno e John Lennon, tentaram o caminho do meio da filosofia oriental. As estradas do conhecimento são várias. O excesso é, sem dúvida, o mais doloroso de todos. Por isso, o mais rápido. Alguns pisaram no inferno e voltaram, como Clapton.
Vivemos num mundo onde o excesso é puro hedonismo, busca do próprio prazer, o tempo todo, como apontou sabiamente Zigmut Bauman. Viver o tempo todo em catarses de orgamos é suprema vida. Eu a quero. Nenhuma sabedoria. A indústria das drogas e do sexo ganham fortunas. Nada mais contesta nada. A estrada do excesso já não leva a palácio algum, exceto para os que vivem ainda nos tempos idos da contracultura.
Cada tempo tem sua lógica. Não me ofereçam cocaína. As drogas já não contestam nada. E não há situação mais triste que ser escravo do próprio prazer. Nada mais triste que ser um viciado em qualquer coisa.

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