Eles eram lindos: o bonsai e a pimenteira. Um verde, frondoso; outra vermelha, cheia de frutos rubros. Levei-os comigo, para minha casa, para cuidar deles, para trazer vida ao lar, para ensaiar os cuidados com quem em tudo de ti depende.

Porém, por mais zeloso que fosse, por mais que tentasse acertar, o bonsai amarelou e todas as folhas caíram. Ficou um pedaço sem vida de mini-árvore, galhos retorcidos sem verde. A pimenteira também deixou cair seus frutos, feneceu diante dos meus olhos, como cena acelerada do cinema. E o vermelho sumiu.

A casa carregava uma energia pesada, algo estranho presente no ar dali, quase irrespirável. Desesperado, retirei o bonsai e a pimenteira e os levei para o campo, para a casa dos que me amam. Não queria que minhas crianças morressem, mas pareciam cansadas de viver e recusavam a fotossíntese.

Passou o tempo e, então, aconteceu. Um dia, sem motivo aparente, aquela energia se dissipou. Havia caído uma tempestade no dia anterior, mas o céu amanheceu limpo, claro, solar, pronto para produzir vida novamente.

Senti saudades e fui para o campo. Cheguei de noite, na penumbra de um céu limpo e sem lua, pois que a dona redonda se preparava para iniciar um novo ciclo. No céu, vi estrelas cadentes. Várias, como nunca tinha visto. Parei o carro, fiz pedidos, rindo, com a fé que nunca tinha tido.

Foi quando vi, com olhos brilhantes de quem vê um milagre. Ao meu redor, centenas de vagalumes. Sempre amei vagalumes, mas os perseguia em pares, trios, nunca havia sido cercado por centenas deles. Estavam ali, piscando, em torno de mim, num anel de luz.

Há sinais de vida por todo lado. Não sei como não conseguia vê-los. Meu bonsai está verde; minha pimenteira, vermelha; todo dia, vejo vagalumes; e espero, confiante, a realização dos pedidos que as estrelas quiseram me conceder.

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