De tudo, afastar-me de vocês, família, é o mais doloroso. E sei que, caso eu queira ou caso não, isso vai acontecer, gradativamente. Seria mais fácil não saber a dimensão das coisas, não saber o significado de tudo isso, mas sei. Vejo, mas não gosto do que vejo.
A vocês que estavam lá e me viram jurar amor eterno, saibam que assumi, naquele instante, vocês também como meu sangue. E de coração vos amo, pois amá-los é o mais simples, o mais fácil, o que menos confunde meu coração.
Os planos que fiz passarão. Não vou ter que brigar com ninguém para que não ensinem meu filho a comer McDonalds, nem terei mais discussões sobre política, nem tampouco faço parte do quinteto de corintianos. Não terei mais que “disputar” o seu amor de sogra, mãezoca. As festas cheias de gente vão ficar no passado, com o tempo. A gritaria, a mesa de baralho, a costela e as festas na chácara. Tudo que amo em vós vai se enevoar. Eu sei.
Se tudo fosse pouco, a forma como vocês me amaram já seria motivo para todas as lágrimas que derramei. Por vós, não por ela.
Sei que o tempo é senhor das curas, que meu coração vai se acalmar, que tudo ficará em mim, mas como a vida que vivi e que muito me ensinou. Outra virá e terei que respeitá-la. Outra família entrará em minha vida. E terei que me dedicar a eles também, pois amor é zelo e cuidado. Tudo vai mudar. Que assim seja, mas dói.
Talvez, por fim, me afastar seja o que me sobre, mas prometo, enquanto for possível, estar aqui e nunca mais abandonar. Ou esquecer.

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