O pior programa da TV brasileira é o Vídeo Show. Ok… Este títluo honorífico sempre é atribuído à Gugu, João Kléber e Faustão ou a programas policiais. Mas, nestes, por piores que sejam, sobra um resto de mundo, de vida, de sociedade, de gente. Podem estar falsificados, humilhados, estereotipados, mas há algo de real neles. No programa do Ratinho, os barracos são um show na medida para a TV, mas repetem, de forma burlesca, um traço da cultura popular: sua absoluta falta de necessidade de etiqueta, de comportamentos polidos e falsos.
No Vídeo Show, não sobra nada. A TV fala de si, pergunta sobre si, promove se a si mesma. É o reino da irrealidade virtual. No Vídeo Show, o que se exige da audiência é que penetre na televisão, que seja absorvido, como num poltergeist moderno. Entre para este mundo, de atores ruins e lindos, de novelas com diálogos forçados, de culto à personalidade: é isto que o Vídeo Show estimula. O pior da TV é a própria TV. Por isso, quando ela se refere a si mesma, exclusivamente, o desastre é evidente.
O VS surgiu com a proposta de mostrar a TV por dentro, de desmistificá-la, de permitir à população dialogar com a TV. Virou seu contrário. Os fãs do VS são os piores espectadores, são os mais vidrados, os que mais vivem a realidade do vídeo. Nada é mais trágico. Viver dentro da TV é como viver num sonho constante, como viver sob o efeito de drogas, como viver alucinado. É a irrealidade cotidiana.

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