Ela não existe. Mas se existisse, estaria com 22 anos. Seria fã do RBD, teria o hábito de ligar a TV para ouvir o barulho, a qualquer hora do dia, assistiria ainda a Xuxa de manhã, dançaria copiando os clipes de música pop, de Shakira a Black eye peas e nunca perderia o Vídeo Show.
Se ela existisse, seria geniosa, como os personagens das novelas e falaria da vida no vídeo como se fosse a vida real. Ela seria egoísta, viveria eternamente em busca do seu próprio prazer e se insuflaria contra tudo que se opusesse a isso. Seria viciada em conexão: celular, e-mail, msn, orkut. Ela seria um subproduto da televisão, Peter Pan televisivo, que se recusa a crescer e traz consigo uma inocência que não é pureza, mas imaturidade, por que as crianças são os melhores consumidores, os mais influenciáveis. Apesar da idade, ela seria uma adolescente erotizada e infantilizada pelos meios. Seria educada para o consumo e nunca amadureceria.
Se ela existisse…
Mas ela não existe.

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