Trago no peito
Um coração acanhado,
Arredio,
Desconfiado.

Que de tanta poeira,
Cansou de estrada,
Desvario,
Emboscada.

Coração olha de lado,
Desconfia do perfeito,
Redondo,
Escorreito.

Mas é de tudo ou nada,
Sem medo de ribanceira,
Estrondo,
Fogueira.

Por isso,
Vez ou outra,
Arde.

Dá sumiço,
Não se encontra,
Flutua.

Sem alarde,
Tange a lua.

Já me levou tão longe este coração,
Já trouxe sensação de completude
De viver só por ele, pela sua arritmia,
Pela dessimetria, distorção que ilude.

Agora não tem jeito.
Meu coração não pensa,
Só acha que compensa.

E o sigo, tolo e sábio.
Meu coração é hábil,
Meu dom, meu defeito.

07/06/2006

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