Tu não sabe,
Tu só entende a linguagem dos presentes.
Só percebe a casa arrumada
E perfumada
E purificada
Para o culto de receber-te

Tu não compreende,
Tu só considera os afetos do suborno.
Só valoriza este universo
Onde és poente,
Onde és nascente
E me dói entardecer-te

Toda esta pobreza que é viver,
Em ti,
Se torna ainda mais depauperada.
Então meus dias, que não são meus,
Anulam-se, canção calada,
Em viver-te.

Entretanto, insisto.

Assim, talvez, quem sabe,
Na data de um incerto dia,
Tu, que és atéia
E cética,
Desconfie da existência,
Quase arredia,
De um gnomo,
Nesta métrica.

E já não fará diferença,
Pois não sou nada,
Além da negação
De mim mesmo.
A um só tempo presa
E emboscada.

Começo em ti.
Em ti, termino.
Mas, saiba
(e perdoe minha desobediência),
Não sou gnomo,
Nem fada.
Sou um demiurgo em sua lavra.
Se só existo para mover teu mundo,
Tu só existe na minha palavra.

26 de junho de 1998

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