Bleeding heart é um dos Florais da Califórnia, similar aos florais de Bach. É conhecido como um dos florais de desapego. É o que te dão para tomar quando o amor te suga, te entristece, te faz viver para ele, egoísta que é. Sua função é combater “possessividade ou co-dependência emocional, especialmente perda de ente querido, separações e melancolia nos relacionamentos amorosos”.
De certa forma, nestas horas, os amigos também te dão bleeding heart. Poucos te aconselham a quebrar a cara, amar até não ter mais jeito, lutar feito tigre encurralado pelo amor. Esquecer é melhor.
Mas o amor é este jogo, esta ciranda. Amo quem não me ama, quem me ama me persegue e tento fugir. Assim, somos e fazemos os outros infelizes. Algumas vezes, raríssimas, dois seres se olham e se encontram, desde o princípio. Quando acontece, são dois seres sortudos. Na maioria das vezes, diz a sabedoria, amor se constrói, não vem do acaso.
Aconteceu comigo. Uma única vez. Tive muita sorte, como sei que ela também. Acontecer duas vezes é quase um milagre. E quando isso acontece, o resto parece besteira. Só alguém muito racional não valorizaria isso. Os começos são solenes. No amor, são demolidores.
Só o tempo para fazer a cabeça funcionar e paralisar o coração. Só o desgaste nubla o amor e faz parecer que ele morreu. Mas, tenham certeza, o impulso, construído, às vezes, em alguns minutos, não passa. Ele fica ali, latente. Pode parecer esquecido, mas está ali. Isso é fantástico. De início, os enamorados se prendem a um feitiço. Depois, a uma história. O feitiço desvanece. A história fica.
Se acontecer com você e você tiver que esquecer, vão dizer palavras sábias. Vão dizer que o amor acontece de novo, que é possível esquecer, que o futuro é só o que existe. Vão te dar bleeding heart. Pode ser mesmo. Outro amor, outra história, diferente, maior ou menor, mas diferente. E qualquer hora você vai poder sorrir, ao olhar para o amor que deixou para trás, com o coração sangrando.
Tudo isso é sábio. Mas a vida é uma só. Um amor não vivido é uma vida que você não sabe como seria. Isto vai sempre te perseguir: a vida que você não viveu. Conforme-se. Talvez você tenha feito a melhor escolha. Mas você nunca vai ter certeza.
Eu, por mim, pararia no primeiro amor real e no mais forte, na primeira paixão perfeita. Sei que muitos não terão nem a primeira. Então não vou contar com a sorte. Não quero ficar pensando em como seria minha vida se não fosse ou se fosse isso ou aquilo. Parar no primeiro me daria certeza, tranqüilidade, um coração em paz. Já tive sorte mesmo de ter um.
Mas a vida é como uma ciranda, e, às vezes, o cavalinho te atropela. Ando tomando bleeding heart, mas nada me convence que o outro caminho não seria melhor.

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